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sábado, 29 de junho de 2013

Victor Meirelles

Victor Meirelles de Lima (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, 18 de Agosto de 1832 — Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 1903) foi um pintor e professor brasileiro.

De origens humildes, cedo seu talento foi reconhecido, sendo admitido como aluno da Academia Imperial de Belas Artes. Especializou-se no gênero da pintura histórica, e ao ganhar o Prêmio de Viagem da Academia, passou vários anos em aperfeiçoamento na Europa. Lá pintou uma de suas obras mais conhecidas, A Primeira Missa no Brasil. Voltando ao Brasil se tornou um dos pintores preferidos de Dom Pedro II, inserindo-se no programa de mecenato do monarca e alinhando-se à sua proposta de renovação da imagem do Brasil através da criação de símbolos visuais de sua história. Tornou-se professor da Academia, respeitado e admirado por todos, e continuou seu trabalho pessoal realizando diversas outras pinturas históricas importantes, bem como retratos e paisagens. Com o advento da República, por estar demasiado vinculado ao Império, caiu no ostracismo, e acabou sua vida em precárias condições financeiras, já esquecido por todos.

A obra de Victor Meirelles pertence à corrente romântica, mas suas influências foram ecléticas, absorvendo também traços do Barroco e do Neoclassicismo. Foi autor de algumas das mais célebres recriações visuais da história brasileira, que até os dias de hoje permanecem vivas na cultura nacional e são incessantemente reproduzidas em livros escolares.

Estudo para Panorama do Rio de Janeiro, c. 1885

Aspecto da Guerra do Paraguai, aquarela, c. 1868-1870

Batalha de Guararapes, 1879

A passagem de Humaitá, 1868-1872

São João Batista no cárcere, 1852

Cristo sobre as ondas

O juramento da princesa Isabel 1875

O combate naval do Riachuelo, 1882-83

A primeira missa no Brasil, 1861, sua obra mais celebrada

Estrada para os Guararapes

Moema, 1866. Uma das mais conhecidas pinturas brasileiras de temática indianista

Victor Meirelles de Lima era filho dos imigrantes portugueses Antônio Meirelles de Lima e Maria da Conceição, que viviam com limitados recursos econômicos. Segundo se registra, ainda menino Victor Meirelles passava seu tempo desenhando bonecos e paisagens de sua Ilha de Santa Catarina. O seu talento precoce foi notado e incentivado pela família e por autoridades locais, e em 1845 começou a ter aulas regulares com um professor de desenho geométrico, o engenheiro argentino Marciano Moreno. Alguns de seus desenhos foram vistos e apreciados por Jerônimo Coelho, conselheiro do Império, que os mostrou ao então diretor da Academia Imperial de Belas Artes, Félix-Émile Taunay. O diretor de imediato aceitou o jovem, então com apenas quatorze anos, como aluno da instituição. Transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1847, passou a frequentar o curso de desenho, tendo as despesas iniciais financiadas por um grupo de mecenas e sendo alundo de Manuel Joaquim de Melo Corte-Real e Joaquim Inácio da Costa Miranda. Já no ano seguinte conquistou uma medalha de ouro e pouco mais tarde voltou à sua cidade natal para visitar seus pais. Data desta época a primeira de suas obras conhecidas, um panorama da Ilha do Desterro.

Em 1849 estava novamente no Rio, estudando na Academia entre outras a disciplina de pintura histórica, gênero em que obteve seus maiores sucessos, estudando com José Correia de Lima, que fora discípulo de Debret. Consta que Meirelles era um aluno brilhante, destacando-se em todas as disciplinas. Em 1852 venceu o Prêmio de Viagem à Europa com a pintura São João Batista no Cárcere

Aos 21 anos incompletos, Victor Meirelles desembarcou em Havre, na França, em junho de 1853. Passou brevemente por Paris e em seguida estabeleceu-se em Roma, seu destino original. Lá conheceu dois outros alunos da Academia que também fazia seu aperfeiçoamento, Agostinho da Motta e Paliére Grandjean Ferreira, que o introduziram no ambiente artístico da cidade e o orientaram sobre quais mestres deveria procurar. A princípio entrou na classe de Tommaso Minardi, que a despeito de sua fama seguia um método austero demais, onde os alunos permaneciam excessivamente subordinados aos preceitos, sem oportunidade de desenvolverem idéias próprias. Então abandonou a classe e se matriculou no atelier de Nicola Consonni, membro da prestigiada Academia de São Lucas. Consonni também era rigoroso, mas Meirelles aproveitou bem as sessões de modelo vivo, imprescindíveis para o refinamento do desenho da figura humana, elemento essencial no gênero da píntura histórica. Paralelamente, exercitava-se na aquarela e entrava em contato com o vasto acervo de arte antiga da capital italiana. Numa segunda etapa, transferiu-se para Florença, conhecendo os museus locais e sendo fortemente impressionado pela arte de Veronese. Como estudo copiou obras do mestre renascentista, bem como de outras figuras destacadas: Ticiano, Tintoretto, Lorenzo Sotto e Campagnuolo. Como era exigido pela Academia, regularmente enviava para o Brasil suas obras como prova de seu progresso. Seu rendimento era tão bom que o governo brasileiro decidiu renovar em 1856 sua bolsa de estudos por mais três anos, além de indicar ao artista uma lista de novos estudos específicos que ele deveria cumprir.

Desta forma, em 1856 seguiu para Milão e logo depois para Paris. tentou ser admitido como aluno de Paul Delaroche, mas o mestre repentinamente faleceu. Assim precisou buscar outra orientação, encontrando-a em Léon Cogniet, pintor romântico igualmente celebrado, membro da École des Beaux Arts e uma referência para os estrangeiros que iam estudar na Europa. Em seguida estudou com André Gastaldi, que possuía quase a mesma idade que Meirelles, mas que tinha uma visão mais avançada sobre a arte e lhe deu importante instrução sobre cores. Teve em Araújo Porto-Alegre, então diretor da Academia brasileira, um outro mentor valioso e atento, que forneceu a ele orientação suplementar através de assídua correspondência. Sua rotina, segundo relatos, era quase monástica, dedicando-se integralmente à arte, e novamente seus estudos foram considerados tão bons que sua bolsa de estudos foi prorrogada outra vez, por mais dois anos. Nesta época sua produção era numerosa, destacando-se obras como A Primeira Missa no Brasil, que lhe valeu espaço e elogios no prestigioso Salão de Paris de 1861, um feito inédito para artistas brasileiros que repercutiu muito positivamente no Brasil

No mesmo ano sua bolsa terminou e ele votou à pátria, já festejado como um gênio. Expôs publicamente A Primeira Missa e entre muitas homenagens recebeu do imperador Dom Pedro II a Ordem da Rosa no grau de cavaleiro. Logo depois viajou para Santa Catarina para visitar sua mãe - o pai falecera enquanto ele estava na Europa. Permaneceu algum tempo ali e retornou ao Rio, onde foi nomeado professor honorário da Academia, sendo promovido pouco depois para professor interino, mais tarde assumindo como titular. Testemunhos de alunos seus declaram o seu respeito pelo artista, dando prova de seu caráter impecável e sua enorme dedicação à docência, sendo considerado um professor atencioso, paciente e verdadeiramente interessado no progresso de seus discípulos. Sua fama se consolidou e desta época é sua famosa Moema, uma das mais conhecidas obras do indianismo pictórico brasileiro, mas que em sua primeira exposição pública não atraiu interesse. Não obstante, recebeu encomendas da família imperial, pintando o Casamento da Princesa Isabel e um retrato do imperador em 1864, além de retratos de membros da nobreza e da política. Tornou-se conhecido também pela sua devoção às causas nacionais, e por isso foi contratado em 1868 pelo governo para realizar pinturas sobre a Guerra do Paraguai, que estava em pleno andamento, num contrato que ao mesmo tempo o honrava e lhe dava boa remuneração

Imediatamente Meirelles deslocou-se para a região do conflito para colher impressões da paisagem e do ambiente militar. Instalou um atelier a bordo do navio Brasil, a capitãnea da frota brasileira, e ali passou seis meses elaborando esboços para suas obras. Voltando ao Rio, ocupou um espaço no Convento de Santo Antônio que transformou em atelier e meteu-se`ao trabalho afincadamente, isolando-se do mundo. Desse esforço resultaram duas de suas obras mais importantes, ambas de grandes dimensões: a Passagem de Humaitá e o Combate Naval de Riachuelo, além de mais outra, a Abordagem do Vapor Alagoas. Enquanto estava nesses trabalhos recebeu a visita da família imperial, com quem mantinha contato, o que resultou em novas pinturas e no envio do Combate Naval para representar o Brasil em uma feira internacional promovida nos Estados Unidos. No retorno da exposição a obra foi estragada.

Em 1871 pintou o Juramento da Princesa Regente, e em 1875 iniciou os esboços para uma outra grande obra histórica, a Batalha dos Guararapes, aceitando um projeto que fora recusado por Pedro Américo, que preferiu trabalhar sobre a Batalha de Avaí. Como fizera antes, deslocou-se à região onde ocorrera o conflito para conceber a composição com maior verdade. Ambas as obras foram expostas no Salão acadêmico daquele ano, desencadeando a maior polêmica entre a crítica que até então se travou no Brasil. Enquanto uns reconheciam as habilidades dos pintores, outros o acusavam de plágio. A discussão tomou os jornais e revistas durante meses.

Em 1883 estava de novo na Europa, onde fez uma nova versão do Combate Naval de Riachuelo, que se perdera, e na Bélgica iniciou em 1885 a execução do Panorama do Rio de Janeiro, uma vista paisagem tomada a partir do morro do Santo Antônio. Para isso, contou com a ajuda do belga Henri Langerock. Em 1887 a pintura foi exposta em Bruxelas, fazendo uso de um cilindro giratório que permitia aos espectadores contemplar as vistas em 360 graus. Em 1889 a obra foi exposta na Exposição Universal de Paris e, posteriormente, no Rio de Janeiro. No Brasil, Victor Meirelles produziu outras pinturas nessa linha, como o Panorama da Entrada da Esquadra Legal - Revolta da Armada e o Panorama do Descobrimento do Brasil.

Em 1889, com a Proclamação da República, veio a perseguição política aos artistas oficiais da Monarquia e a demissão precoce da Escola Nacional de Belas Artes, que substituiu a Academia Imperial. Victor Meirelles, aos 57 anos, foi afastado com o pretexto de já possuir idade avançada. Em 1893, o artista tentou fundar sua própria escola, não obtendo sucesso. Sem recursos, o artista instalou o Panorama do Rio de Janeiro num barraco, onde cobrava um mil réis por visitante. Parte desses recursos foi usada para sua sobrevivência e a outra parte foi revertida, por decisão do próprio artista, para a Santa Casa de Misericórdia. O júbilo e o reconhecimento do artista se transformaram em miséria. Muitas obras se perderam por ignorância das autoridades da época, que não souberam distinguir a ideologia política da arte em sua essência. O artista finalmente desiste de produzir e segue sua vida doente e abandonado. Na manhã de um domingo de carnaval, em 22 de fevereiro de 1903, Victor Meirelles não resiste e morre, aos 70 anos, na casa simples onde vivia. Nada mudaria a animação dos foliões na capital da República, nem mesmo a morte de um dos maiores pintores da história brasileira.

Alguns anos após a morte do pintor, seus panoramas foram estocados em depósitos na Quinta da Boa Vista, onde mofaram e apodreceram com a umidade. Considerados irrecuperáveis, as obras foram jogadas na bacia da Guanabara. O artista pensava que seria reconhecido pelas futuras gerações devido a esses grandes panoramas, porém tudo o que foi salvo foram pequenos esboços.

Fonte Wikipédia

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